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Em reunião do dia 21 de janeiro de 1941, foi criado o Aeroclube de Londrina, com os seguintes sócios fundadores: Miguel Blasi (prefeito), Dr. Ruy Ferraz de Carvalho, Anísio Figueiredo, Vicente Cioffi, Newton Câmara, Luiz Estrela, David Dequech e Atanásio Belo. Foi eleito presidente o Dr. Anísio Figueiredo, que permaneceu no cargo até 1943, quando foi substituído pelo Dr. Newton Câmara e posteriormente por Celso Garcia Cid. Foi cedido pelo Dr.Mábio Palhano, no espigão de sua Fazenda, próximo a Londrina, à beira da estrada que liga nossa cidade à Tamarana, o terreno que seria o campo de pouso. Por essa época, estava em franco progresso a campanha da aviação, patrocinada por Assis Chateaubriand, Diretor dos "Diários Associados". Para que um aeroclube se candidatasse a receber um avião, era necessário possuir campo e hangar. Tendo conseguido o campo, cogitou se em seguida construir o hangar, cuja localização dependia do parecer do D.A.C. Determinado o local, foi iniciada a campanha do hangar, tendo o major Miguel Blasi se comprometido a dar a mão-de-obra, sem ônus, portanto, por parte da entidade. A madeira foi conseguida por doação de serrarias locais: Mortari, Carlos Almeida, Fabrini e outros.

Terminado o hangar, foi o nosso presidente à São Paulo, solicitar de Assis Chateubriand o avião, já que os requisitos estavam cumpridos. Diante da promessa de Chateaubriand de que o avião viria a seu tempo e tendo sido apresentado ao presidente o jornalista Joaquim Macedo que, piloto civil, deveria trazer o téco-téco, o regresso a Londrina seria o alvo imediato.

De volta à Londrina, de trem, é claro, o presidente foi surpreendido pela Banda Municipal que, em meio à multidão de curiosos, executava o seu dobrado mais vibrante discurso, trespassado de palavras eloqüentes e patrióticas, ressaltando o feito do presidente.

A vida em Londrina volta ao normal e todos se esqueceram daquela recepção e de tudo que fora rememorado pelo Dr. Ruy. Mas, num domingo de sol brilhante, surge nos céus de Londrina, para espanto geral da população, um téco-téco em vôo rasteiro, assustando os times de pelada nos terrenos baldios da cidade, escassos naquela época em que tudo era mata. Tudo sugeria que o piloto não localizara o campo. Não demorou muito e chegou a notícia de que um avião havia caído na fazenda Coati, hoje bairro Shangri-lá. Nada havia acontecido ao piloto, mas, o avião, que pousara sobre pés de café, teria se desmontado. E foi assim que pela Rua Quintino Bocaiúva, o presidente do aeroclube assistiu desolado, os funerais de seu sonho de moço.

Nenhum esforço é perdido quando se luta por um belo ideal. Para Londrina daquela época, esse sonho era realmente belo e o Aeroclube de hoje, que tanto serviços tem prestado na formação de pilotos civis, é uma confirmação de que nada se perdeu, mesmo com o avião quebrado...

 

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